27.8.11

Fim
O que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa.
Agustina Bessa-Luís


O Fascínio
Há um prenúncio do fim.
Quando o vento e a chuva ficam fortes demais.
Hello Irene
A madeira protege as janelas. As janelas com madeira protegem-me a mim. Que me protego, a mim.
Que tenho uma vontade forte demais.
Hello Irene
do fim.


18.8.11

Forgive and Forget
No início queria me perdoar a mim. Passou uma Primavera e um Verão e no Inverno já tinha um metro de neve à porta de casa mas não me chateava. Andei de botas pesadas, layers de roupas, casacos fofos e gorros, irreconhecível durante a temporada mas nunca fugida do frio que se instalou em forma de circuito cabeça-coração.
Voltou o Verão e não esqueci nem perdoei. Nao melhorei. Como que se a alternativa fosse uma aceitação pouco ou nada determinada por mim. Voltei no Verão e no Verão ajudam-nos com as malas, perguntam direcções, elogiam-nos a roupa, o cabelo, a altura, os anéis. Partilham mesas e almoço, tiram-nos fotografias como se para um blogue de moda tratasse, falam-nos do calor, de uma coca-cola que nos querem pagar no melhor terraço da cidade. A cabeca distraída a partir do dia zero. Não há nada para esquecer nem há nada para perdoar. Não há peso. Não há roupa. Nem culpa, que encalorados vamos sorrindo uns aos outros como que se nada passasse.



22.7.11



Sina dos Modernos
que se entretêm no serão virtual dos bobos da wall.


17.5.11

Por vezes o nível de solidão pode ser medido pela quantidade de tempo que passo a vadiar na internet. Por vezes o nível de internet pode ser medido pela quantidade de tempo que passo a vadiar pela solidão.

11.5.11







20.4.11




































Angel Face, 1952
a film by Otto Preminger

19.4.11




Xutos e Pontapés
No Twitter um novo follower, desconhecido, que mesmo depois de um block, volta a seguir-me. Não entendendo a razão clico para ver o perfil. É holandês. Os tweets em inglês são sempre os mesmos, repetidos e seguidos de um link para um vídeo no Youtube. Clico. A música dos Xutos e Pontapés tem duas mil e tal visualizações. Mas o título não corresponde ao vídeo, embora corresponda à música. A montagem começa com uma imagem preta, letras brancas e um hello que é inicio da descrição extremamente breve e directa, feita em powerpoint com apenas duas imagens para explicar que em 1986 estava em Sesimbra quando conheceu a mulher que agora procura sem parar. Agradece o contacto a quem a conhecer. E a ela, se o estiver a ler. Quero-te Tanto é a música, o vídeo, e a estupidez da minha tarde, vontade. Idade.



17.4.11




Away, away, says hate;
Closer, closer, says love


Alphaville; Jean-Luc Godard






Metafísica dos Costumes*
Era bonito aquele amor sem causas. E era bonito que se deixasse de falar de casais, de traições, de casamentos e de vidas programadas pelas bocas dos outros. Pouco menos de um mês para os trinta e é a inocência que falta. Ou que fala. Falam à minha volta. Mas não a minha- Inocência que falta e que não fala- que não sei onde está. Cheguei aos trinta e matei-a mesmo antes de perde-la pelo caminho: o casamento, os filhos, o ordenado certo, a casa, as férias programadas. Matei a ideia de mim, tingida. Matei o homem perfeito, a vida perfeita, as amigas perfeitas. Antes dos trinta, Kant*, estive longe de agir de tal modo que a minha acção se pudesse tornar princípio de uma legislação universal.
Antes dos trinta, era bonita aquela ideia do amor sem causas.












A única certeza que tinha era o barulho que ouvia e o vento que batia. Chovia no Mundo Inteiro.



3.4.11



O princípio feliz de qualquer coisa não ficou só nas coisas que escreves, misturou-se com o medo intermitente que não deixo de sentir. E a fantasia. Da vida, ou na vida. O delírio,
amor.



28.3.11




After the conversation she left
É mais ou menos silencioso. Esse entendimento que temos de nós mesmos. Como se fosse possível em quarenta minutos desvendarmos o que queremos desvendar.
De surpresa, logo na primeira aula, foram quarenta minutos finais sem tema e com uma grande folha à frente. O accent na cabeça, da explicação delicada e cuidadosa.
Não sabia o que fazer. Não entendi. Nevava. Impaciente com as coisas que só podiam ser as coisas do amor porque tudo o resto já me disseram que pode esperar. Mas eu vivo cheia de sede e de madrugada bebo copadas de água de uma só vez. E desenha-se em espelho, tão naif. A tinta nos dedos, claro. Sôfrega. "So, you like interiors" "yeah, maybe I like interiors" ou a mais banal das histórias, mal desenhada, que a impaciência pode transformar-se em obsessão.



23.3.11




Dos ciclos
Se começarem com os pés a flutuar um ano depois tocam no chão e pode não ser assim sucessivamente.








Ah!








Tu roules
Et moi j´attends encore de faire un pas


Ma Vie, Henri Michaux




21.3.11





10.2.11



You go your way. I´ll go your way too.
(Ou o melhor poema de todo o sempre)
O primeiro blogue que lí na vida na verdade ouvi-o. Foi a minha melhor amiga que numa tarde de verão levou A Causa das Coisas para a esplanada e pôs-se a ler em voz alta. O MEC ía buscar as filhas ao nosso colégio, sabíamos quem era e gostávamos de o ler. Isto foi há quinze anos atrás. Outro día ví no facebook o share de um dos seus textos, aquele do Elogio ao Amor. E fui à procura de uma revista antiga do Expresso onde ele a dedicou inteiramente ao seu casamento, ou à mulher, ou ao Amor. Ela, de vestido de noiva a passear-se pelo Guincho. E a coisa parecia verdadeiramente saudável e feliz. Uns textos que não me lembro e fotografias dos dois. Não encontrei a revista, só um dos seus últimos livros onde ela, mais velha, aparece na capa. Foi com ele que aprendi e me prendi ao poema do Cohen.




Playtime, again.
Não sou assim tão anónima. Vou sabendo quem me lê e vice-versa. Quem me lê sabe que isto não é literatura. Nem um diário. É outra coisa qualquer. E andar com um blogger é uma chatice. Ele lê, eu leio-o. Ele interpreta, eu interpreto, zango-me ou dou-lhe razão. Comparo-me como se estivesse no reino animal. Rosno.
Faltam-me letras no meu mac, que andam a cair. É o que começo a sentir, e ele sentiu primeiro, que é muito mais blogger que eu.
E lía nos cartazes em Nova Iorque: Trust no one. Era a mensagem do Harry Potter e dos seus amiguinhos. Salvem os vossos portáteis (a Vida, que ningúem conhece outra). Abaixo os hipermodernos, ou os outros, que vieram a seguir.
oh yeah




I do not agree with what you have to say, but I´ll defend to the death your right to say it
Dormi durante dois dias. O medo, já não importava do quê, esse medo patológico, ridículo, que põe a minha perna esquerda dormente e faz-me paralíticas no braço direito. E ansiedade. Que tudo volte a ser como era. Outra coisa ridícula. Mas dormi. Dormi como se tivesse morrido. Sem sonhos, sem mexer um dedo. Esqueci-me das insónias, da noite anterior, em que vagueei madrugada dentro à espera que amanhecesse para fingir outra vez. Adormeci ao teu lado está tudo bem, precisas de dormir. No dia seguinte acordei com o pequeno-almoço na cama e voltei a adormecer no sofá enquanto dizias que precisava de descansar. Mas o escorpião não aguenta, já me esquecia. Acordei. Não fazes nada, só dormes. Tumba. E ainda nem tinha escovado os dentes.

* Voltaire


8.2.11



XIII
Do Primeiro Passo, Do Grande Mundo, Dos Infortúnios
O que há de mais espantoso na paixão do amor é o primeiro passo, a extravagância da mudança que se opera no cérebro de um homem.

*
Stendhal, Do Amor.


4.2.11







E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará
João 8:32


26.1.11



Rita: When will I see you again?
Leonard Diamont: Well, if I´m not dead, you´ll find me where I always am. In jail.

*
Joseph H. Lewis, The Big Combo, 1955


23.1.11



Counting on you
Uns comprimidos que se vendem sem receita médica num DuaneReade e que prometem noites bem dormidas depois de um abrir de boca fecha-se um olho e fica-se assim já no sonho mesmo com o pescoço em esforço e o pé gelado, adormecemos.




From Voltaire to Marquise Gabrielle
The Hague 1713

I am a prisoner here in the name of the King;
they can take my life, but not the love that I feel for you.
Yes, my adorable mistress, to-night I shall see you, if I had to put my head on the block to do it.
For heaven's sake, do not speak to me in such disastrous terms as you write; you must live and be cautious; beware of Madame your mother as of your worst enemy.
What do I say?
Beware of everybody; trust no one; keep yourself in readiness, as soon as the moon is visible; I shall leave the hotel incognito, take a carriage or a chaise, we shall drive like the wind to Sheveningen; I shall take paper and ink with me; we shall write our letters.
If you love me, reassure yourself; and call all your strength and presence of mind to your aid; do not let your mother notice anything, try to have your pictures, and be assured that the menace of the greatest tortures will not prevent me to serve you.
No, nothing has the power to part me from you; our love is based upon virtue, and will last as long as our lives.
Adieu, there is nothing that I will not brave for your sake; you deserve much more than that.
Adieu, my dear heart!

Arout
(Voltaire)


21.1.11



The lure of the underworld
or Deadly is the female.

*Joseph H. Lewis, Gun Crazy, 1949.




Contra a educação das mulheres, capítulo LV
A delicadeza das mulheres provém dessa difícil posição em que se encontram desde tão cedo, dessa necessidade de passarem a vida rodeadas de inimigos cruéis e encantadores.

*
Stendhal, Do Amor.


20.1.11



Six weeks and twelve hours studio
Mybe I can do a project with that

*
Weegee, Subway Serves as Blackout Shelter, August 13, 1943.


19.1.11



Subway stories
Foi a primeira sensação familiar. O tumulto inquieto e mais ou menos dirigido, automatizado, que me fez lembrar uma tarde incomum em que fui esperar o meu pai à porta do metrô no Rio. Tanta gente, tanta gente frenética, e uma barraquinha que vendia maçarocas de milho cozidas, imaginei-a no chão, quando alguém tropeçou sem querer e provocou o descontrolo geral.
Agora, em Nova Iorque, quarenta minutos diários de viagem. Vinte para cada lado. Um dia falávamos como seria o metro nos anos oitenta. Com alguma vontade dessa época. Eu. Do ambiente sujo e grafitado. Da linha de terra que transpõe perigo. O incontrolável em túneis escuros e labirínticos. Gangs nas carruagens. Sin city que passou à história. Ou a subway stories que me deram vontade de pintar e printar. Essa solidão. E o peso, que pesada que é. Nesse dia fui eu que tropecei
(não sei se no metro se na solidão).


* Susan Meiselas; USA. New York City. 1978. Pebbles, João and Carol on the A train.


1.1.11



Different Vocabulary




Lady Soul
a primeira da rádio on-line

Ain´t no way for me to love you
If you won´t let me
Ain´t no way for me to give you all you need
If you won´t let me give all of me

*Aretha Franklin




Arquivo
Gosto de passagens de ano. Ninguém gosta. Gosto dos copos, dos abraços.
Gosto da ideia da lista de coisas a fazer, a mudar, a melhorar. Como se fosse possível fechar um ano e abrir um novo. Limpinho e sem riscos.








Da solidão I
De um ano para o outro repito a tradição das doze passas. Repito também o primeiro wish. Que afinal extende-se e acaba por ser uma espécie de frase que vou construíndo à medida que ponho as passas na boca. Não sei quantos wishes são. Os wishes passam a juras, como quem amargurado enfrenta uma promessa. De um dia ter uma noite completa. Ou pelo menos menos infeliz.


26.12.10



as long as you love me so let it snow, let it snow, let it snow.




Noites Brancas
Já não me lembro quando tive a minha primeira insónia. Lembro-me de quando era muito pequena e a minha mãe acalmava-me numa noite de pesadelos e fazia-me pensar em coisas boas como o casamento da minha tia, onde fui uma daquelas meninas que entram com a noiva. E o quanto me diverti nesse dia, com o vestido de linho branco comprado em São Conrado. E o que foi lá ir com o meu pai, em busca desse vestido. O casamento foi a meio da tarde, num dia quente, e vesti-me com a ajuda da Sandrinha que morava connosco e tratava de me ir buscar à escola. Nunca mais soube dela. A minha avó também lá estava, sentava-se na sala por horas, admirava a vista e refilava do barulho, do trânsito louco do Rio.
Não me lembro de ter noites brancas como essas que se tornavam, literalmente, tão coloridas.
Hoje, no primeiro nevão desde que cá cheguei -e também o primeiro deste inverno- o tempo baralhou-me com uma tempestade. No meio deste nevoeiro imagino Nástienhka, perdida durante quatro noites. Na solidão própria das grandes cidades como S. Petersburgo. Ou Nova Iorque.
Desligo o computador e abraço-te.


7.12.10



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Playtime, again
Foi no facebook que ví o vídeo que falava sobre a nossa geração. Posicionando-nos como pessoas capazes de ser muitas coisas ao mesmo tempo. Somos vários num só. E fazemos mais do que uma coisa. Como um advogado que também é fotografo, dá aulas de surf e à noite muda de nome para relatar uma vida num blogue. Duvido de tudo, dessa insatisfação constante que me faz querer ser várias. Procurar outros sitios noutros lugares. Mudar de passaporte, como no filme, no meio do deserto. Começar tudo do zero. Ser outra, desta vez ruiva. E deixar de lado essas indecisões, imprecisões, esconderijos, como se parasses de jogar às escondidas e pudesses ser só um. Eu seria só uma também.


4.11.10





24.10.10



Until the end
Se seguir o meu instinto num desses momentos de total fraqueza, ou franqueza, diria que bastou vestires um casaco para saber até aonde estou disposta a ir.




Voyeur
Descobre-se em três dias o que não se descobriu em sete meses. Como se estivéssemos a ler a correspondência íntima de alguém conhecido revelada vários anos após a sua morte. Aqueles segredos que podem ser momentos de fraqueza. E franqueza. No hiato da situação. Entre a vida que têm e a vida que achávamos que deviam ter. E agora também existe a credibilidade social, invocada, equivocada, pelas redes sociais. Somos vários. E olhamo-nos pelo buraquinho da fechadura com medo de encontrar grandes feras ou doces gatos. Que à noite são pardos. É às apalpadelas que se vive. Com dois olhos e um pc.


21.10.10



Imortais
O metro que me fez lembrar São Paulo. A chegada que me fez lembrar a infância. Onde os começos doíam por antecipação a um fim. E quando perguntei se estava feliz, não me respondeu que sim. Revivia aquela ída de comboio como se os vivos não envelhecessem. Com ídas e voltas, partidas e chegadas, os loops desesperados de um homem só. E a possibilidade de mais uma volta, só mais uma voltinha. Na roda gigante que fotografaste anos antes de me conhecer.


17.10.10



Precipitações
Há dois tipos de pessoas. Só há dois tipos de pessoas, ouvi eu de manhã. As que se apaixonam a toda a hora e as que se apaixonam para a vida.
Gostava muito de conhece-las.




Não me lembro do momento exacto em que me apaixonei por ti. Posso mentir-te. A literatura embrulhou-me bem e agora parece mal dizer-te que és o meu delírio.


16.10.10



Delirious before NY
Não me preocupa o frio. Já me disseram que os casacos de cá não servem. Que não temos aquele frio. Disseram-me que vou me perder nas lojas. Vou me perder nas compras. Vou me perder nos museus, nas livrarias. Nas livrarias, vou me perder. E nos cafés, nas ruas, nos edifícios, vou perder-me. Só posso perder a cabeça. Tudo o resto já perdi. E é por isso que vou. Sem nada, excepto uma réstia de fé no instinto. Antes dos trinta dobro a esquina contra o vento forte ou deixo-me levar por ele. É bom que encontre um casacão.


11.10.10



Again
Agora sem pai.


10.10.10



My best shot
Fiz-lhe uma vez a pergunta. Era a pergunta que faria quando o encontrasse.
Se alguma vez me cruzasse com ele sabia que ía saber. Que era ele. E que a pergunta fazia sentido. Tinha fé na pergunta, ou na pergunta-resposta. Era uma espécie de conto de fadas inventado por mim, que pouco sei de contos e pouco sei de fadas.
Sabia que ele podia não entender. Mas eu só tinha uma vida, como nos jogos, uma tentativa antes do inferno. Como quando acho que os sinais passaram a verde porque fui eu a pedir.
Perguntei-lhe com essa mesma crença. De que um homem daqueles só passaria uma única vez por mim.


8.10.10



Chove
Ele decidiu ficar. Como todos os homens que passaram pela vida dela, com a excepção de um, aquele incansável que só a largou depois de morrer, este também ficou por lá. Imóvel. Intacto. Não tentou sequer um falso reflexo. Porque quando é a paixão a morrer não há estrada que se faça, um quilómetro que seja, para se voltar atrás.
Ela atirou-se. E a um passo dos braços, foi afinal o chão que a agarrou.

5.10.10



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Niagara by car, USA side


Pergunta-se se este Império de Cristo e dos Cristãos
há-de ser neste Mundo ou no outro*
Depois dos últimos acontecimentos ela pensou: só um milagre,
só mesmo um milagre.


*Padre António Vieira in "História do Futuro".




História do Futuro
Quem me conhece sabe que gosto de estatísticas. Se tudo correr bem temos pouco mais de duas semanas. Isto partindo da ideia que me deste, ou da ideia que eu tirei da tua ideia, ou da ideia que ficou no ar. Sete meses calha estarmos em Nova Iorque. E afinal Nova Iorque não me deixa estatísticamente sozinha. Nem a ti, que em duas semanas, segundo a estatística, e aqui com menor percentagem de erro, é o tempo contado para deixar a solidão. Essa, que é glória&medo, e por isso acumulas anos sem saber. Com todas as outras antes e depois de mim. Estatísticamente falando és um homem cheio de sorte. Mas as estatísticas são só estatísticas.


3.10.10



The statistics says


25.9.10



Deitei tudo ao ar iludida e agora não dá para voltar atrás.
Quando achei que tinha o sonho cumprido, as noites tranquilas e as férias feitas para mim, ele cuidava de tratar disso e de tudo, em troca de nada, nem de um beijo sequer, achei pouco. Não reconheço essa mulher que era eu. Que sou eu. Oca. E sabia, porque é sempre assim, que um dia ia acordar com muito medo que a dúvida aparecesse.


24.9.10



É mais ou menos óbvio que amanhã vou chorar no casamento. É a minha melhor amiga que diz porque me conhece e fica de lágrimas nos olhos quando também me diz uns trinta segundos depois que o meu casamento vai ser o mais giro, o que ela vai gostar mais porque é exagerada e já estou a vê-la a preparar um milhão de coisas e coisinhas e presentes e textos e cartões e suspresas e fitas e fitinhas, como eu nunca ví ninguém excepto os miúdos quando abrem os presentes de Natal porque ainda lhe resta essa crença nas coisas e nas pessoas e nos amores e em mim. Que finjo-me forte e arranco com o carro com toda a velocidade para parar no sinal sem conseguir guardar a respiração até largar um choro tão forte que a rapariga não bate no vidro enquanto me olha compreensiva e de barriga à mostra, grávida que está. Amanhã casa-se uma amiga e eu sou madrinha e calhou-me escrever sobre a compreensão. E respeito. Não sei o que escrever. E não me imagino a casar. Queria me casar só para saber-te a ti feliz a preparar-me o casamento. Têm me dito que vou morrer sozinha. Fico assustada mas já tive o meu final feliz.




Das implicações
Toda a gente tem uma coisa por resolver. Um issue que passado meio ano é tão visível que nos achamos estupidos por só termos percebido agora. Pondero se sou capaz de viver com um blogger. E com o teu issue. Ou com os dois ao mesmo tempo.

20.9.10



Border line
Durante o dia fotografei, perdida, e voltava para o carro com a sensação de pertença. Ao lugar. Ou à fronteira, que não há de ser um lugar. Era triste, fazia frio e gostava de ter lá estado de outra maneira.




Play as it says
Comprámos os bilhetes juntos mas decidimos entrar no país como dois perfeitos desconhecidos.



Precipitações
Daqui a um mês parto para Nova Iorque. Fazendo jus a estas ideias precipitadas que são mais fortes e se não as fizer cumprir fico presa no canto da pena. E se a cumprir, esta, vou ouvir-me a dizer:
eu sabia, eu sabia, como quem sabe que é indo que te perco, com tantos caminhos, és tu que chegas a casa primeiro.

16.9.10



Maria´s fall
Em menos de trinta segundos Maria olha-o nos olhos sobe para o muro abre os braços e de costas atira-se para trás.




Trust (1990)
Ela saltou porque o desejo também se esconde na perda da liberdade.




Guerra e Paz
Havia muitos alarmes durante a marcha, e a reacção dos soldados da escolta era levantarem as armas, dispararem e fugirem à pressa, atropelando-se uns aos outros; depois voltavam a juntar-se e injuriavam-se uns aos outros pelo susto inútil.




Tratado sobre a Tolerância
diz Voltaire: "Crê o que eu creio e que tu não podes crer, ou morrerás"


4.9.10



It´s a sunny day
Let´s make some sex on the beach




Almoço de Família
É a velocidade que está por detrás destas transformações. E já não falo no tempo, nem nessa unidade, mas na facilidade da troca. E na contemporaneidade das acções. Se antes o homem -o avô- chegava a casa com um bastardo, a mulher aceitava-o como próprio filho. Depois o filho, que não o bastardo, casava-se e engravidava logo a mulher, levava as amantes que queria para dentro de casa mas não as engravidava. Era mais esperto: separava-se. Casava-se de novo. E casado ía traíndo, sem importância, até morrer. O filho, neto do avô, não se casa nem as engravida. Não trái. Passeia-se pelo Chiado e come-as com os olhos sem disfarce, primeiro as pernas, depois o da modelo loira que passa com pressa. Isto com a namorada ao lado que reconhece a naturalidade da coisa. Separam-se passado um ano mas falam de vez em quando pelo chat do gmail. Caíu o pano da conversa que não se tinha à mesa. Ou tinha-se debaixo dela. De resto, tudo na mesma. Bom apetite.


28.8.10



Playtime III
Até ao fim somos amantes uns dos outros
Agustina Bessa-Luís


27.8.10



Act 2, scene 1
Numa decisão insuportável de prazer são precisos menos de dois minutos para a vibração dos violinos entrar-me corpo a dentro. A frequência da Meditação é mais forte do que qualquer taça tibetana. Como se o meu ouvido aumentasse de tamanho e qualquer aproximação em forma de sussurro, teu, ao meu pescoço, por alí perto, se transformasse em tormenta e nada mais pudesse ser escutado.
É quando Athanael declara o seu amor. Que dura mais do que uma noite. Dura para sempre. Fala-lhe do espírito e não da carne.
Ela pede-lhe, ensina-me, que forma de amor é essa, que desconheço.


23.8.10



Playtime II
Quando perguntaram, numa entrevista de 2008, se Hal Hartley sentia que a mudança para Berlim afectava o seu trabalho, respondeu que era americano e que fazia filmes sobre americanos. No entanto, acrescentou: I sense that this is significant- this globalization thing.




Playtime
Ele criava partilhando. Partilhava detalhes da vida dele. Do dia-a-dia. Fossem músicas, sítios, objectos, momentos inteiros. Paixões. Escrevia para ela e para uma falta escondida bem no fundo do seu imaginário como se tudo ou todas fossem sempre insuficientes e o espelho só servisse para uma pose estudada antes de uma saída perfumada. Os tempos modernos são vividos em tempo real primeiro pelo casal, depois pelos ecrãs das metades dos outros porque estamos todos divididos em dois ou em mais, estamos aqui e no café. Temos telefone grátis. Mensagens ilimitadas. Emails, Skype, Facebook. Partilhamos felicidades e infelicidades mas na verdade nem sabemos bem o que elas são.








Precipitações
Lado a lado não te parece melhor do que frente a frente?


22.8.10



Negócio de família
Ele matava por encomenda a pedido do pai. A mãe sabia de tudo e também tratava de saber da agenda, da comida, e até da quantidade de sexo que o filho andava a ter. Perguntava à nora se andavam a faze-lo. Um dia, quando ele lhe contou, à mãe, que queria desistir do negócio e que andava num psicólogo ela traiu-o. Contou tudo ao pai que lhe deu o psicólogo como próximo trabalho. Ele não conseguiu e acabou por matar o próprio pai. Ela entrou na sala e perguntou o que foi que ele tinha feito, não como quem está em choque, mas como quem está ofendido. No caso ofendida, por não calcular a acção. Há mães que vivem porque a vida dos filhos não pode nunca, nunca nunca nunca, ser vivida. Ou tem que ser vivida também por elas. Subtilmente. Aqui, em forma de negócio. Mas isto era só um filme. Acho que há uma sindrome que explica isso.


21.8.10



Love was just a glance away
Levaste-me a ver um filme onde a queda é a melhor queda-noir que alguma vez ví. Explorada por Preminger. Transformada por nós. Num tombo que não mata. Mas anda lá perto.


19.8.10



On and on

16.8.10



So pink
I´m getting
So fucking pink




What now my love
Que começou em francês, Et Maintenant, foi o tempo exacto do maior beijo que alguma vez dera.



Há músicas que hoje não pode ouvir. Recusa-se. E quando as ouve disfarça para não sucumbir. As memórias saem da cabeça e espalham-se pelo sangue. Espalham-se. E andam às voltas pelo corpo, às voltas sem saída.


13.8.10



Das alianças
Assim, em todos os tempos nossos senhores, os leões têm concluído as suas alianças à custa dos carneiros
Voltaire






9.8.10




Aliança
Ainda assim prefiro a aliança ao anel. Embora foneticamente anel possa soar melhor. A aliança é mais do que um simples anel. A aliança não prende como um anel pode prender. A aliança é livre e parte de um compromisso, espera-se, e não de uma obrigação. É uma combinação. Aliançar é pertencer porque se quer. Aliançar é batalhar. E é um verbo que se perdeu. Aliamo-nos a nós, sós, desterrados num campo de narcisos. Ou de grandes girassóis.


5.8.10




Precipitações
Aos vinte e nove anos atingi a consciência máxima da minha condição. Nada me assusta excepto quando abro o Facebook e vejo a felicidade espalhada vendida linkada likeada, partilhada. Duvido se sou feliz.
Do Facebook para o blogue, do blogue para um dos poucos livros que não está numa caixa, eis a consciência máxima da minha solidão.



3.8.10



You were not looking for me
O papel dizia que andavas à minha procura num Mundo.
Era mentira. Não há problema em escrever mentiras. Escrevemos sempre para
alguém. Às vezes umas mentiras. Mesmo que esse alguém seja também um Mundo- descobre-se- pode não ser o teu. Aquele que não sabes a dois. Mas sabes bem a mil. E que bem que sabes a mil. Ler-te-ei. Também. Coisas bonitas. Mas à noite, que agora faz Sol. Obrigada.



31.7.10



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Don´t worry, I can´t do better than this.


27.7.10



Love or jogging
You go your way
I´ll go your way too


*Leonard Cohen;
The sweetest little song




I don´t know more than I used to
Rosa tinha a certeza que ele um dia acabaria por partir. Por isso partiu primeiro.




Os homens que marcam as mulheres
que marcam os homens que marcam as mulheres que marcam os homens que marcam as mulheres que marcam o homem que me marca a mim.


24.7.10



Da natureza
Ele contou-lhe a história do escorpião e da tartaruga. Ela contou-lhe a dos ouriços.
E esqueceram-se que também se morre de causas naturais.




Precipitações
Chow: On your own, you are free to do lots of things. Everything changes when you marry. It must be decided together...
Su: I didn´t know married life would be so complicated! When you´re single, you are only responsible to yourself. Once you´re married, doing well on your own is not enough!


Wong Kar-wai;
In the Mood for Love, 2000.




Sangue quente
Não cheguei a tempo do funeral. O autocarro demorou mais umas horas para além das quatorze esperadas. Foi há dez anos e saí sozinha de São Paulo em direcção à fronteira do Mato Grosso do Sul que fica no mato lá no meio do mato perdido no meio das terras que são vermelhas e miudinhas. E nos enchem as unhas e os ouvidos e as raízes do cabelo.
No caminho ví os Sem Terra apetrechados de máquinas de café. Ví o maior horizonte de sempre. E canas de açucar a formarem estradas infinitas que só eram interrompidas por pequenos cruzamentos de entrada para móteis.
Esta avó, mãe da minha mãe, chegada criança com os pais e quatro irmãos num barco a vapor vinda de Padova, no tempo das guerras, apaixonou-se por um preto. Chegou a contar-me as loucuras que fizera por ele e com ele. Naquele tempo pós-escravidão a minha bisavó Victória e o meu bisavô Lorenzo não falavam sobre o assunto. Não era proibido. Era uma humilhação.
Por isso fugiu de casa e casou-se por amor. Vestida de branco, com o meu avô preto.




Fiquei na dúvida e tentei:
Já dizia S. Tomás de Aquino: "A ninguém te mostres muito íntimo, pois familiaridade excessiva gera desprezo".




Dos casamentos
Fui baptizada, fiz a Primeira Comunhão e depois o Crisma. O meu primeiro colégio, ainda no Rio, era ligado à Nossa Senhora da Piedade. Já aqui, cresci a cantar músicas do D. Bosco. Não frequento a Igreja. Não sei o Credo de cor. Embora guarde religiosamente uma oração que vinha da casa do meu pai dos tempos de solteiro e que se tornou no meu objecto mais valioso.
Não parece uma oração.
Agora sou madrinha de casamento. Uma já se casou e a outra casa-se em Setembro. Sou madrinha das duas. E pergunto-me, ainda que aqui, que coisa quererão elas de mim, que de casamentos, relações, entregas e partilha pouco sei. Traí. Menti. Amei e desamei. Amarga fugiu a . Não sei o que lhes dizer. Se calhar também não perguntam. Mas esperam, bem sei que esperam. E inventei um texto que acabei por não ler, graças a Deus, e que era apenas um relato da noiva um dia antes de se casar. A noiva, a minha amiga. Que falava no dia em que juntava todas as pessoas que conhecia debaixo de uma tenda. Era mais ou menos isso.
Casar assim.


20.7.10



in
the
mood
four
months
love








Homens Puros
que apaixonados nos matam de desejo.




Homens Duros
que desconfiados nos matam o desejo.


17.7.10



Da vida das pessoas
É claro que ela estava imbuída daquela ideia romântica de transformar a vida numa narrativa.
Esquecendo-se que uma vida vivida não se assemelha a uma vida relatada.


6.7.10

Men on a rooftop, São Paulo, 1960
by René Burri

18.6.10



O prazer do excesso
Ele era um estranho que me punha a ler a altas horas da noite quando perdida ainda me restava uma última dentada no chocolate escondido ao lado da cama. E guardava o pouco de felicidade que se confundia com fé, imaginando-me num quarto novo. Não precisava de mais nada excepto do meu pequeno prazer que era poder imaginar-te. E fingir que a vida continuava quando as minhas amigas perguntavam se estava tudo bem. Com o marido. Com o amante. Com a minha mãe. Depois o inverno passou, mudei de cama, e esqueci esse hábito. Agora na novela internética ganhei um novo papel que despreza mulheres como eu fui. Essas que traíram, que mandaram tudo ao ar. Essas fiéis. E apaixonei-me por um homem do passado, daqueles que falam pouco. Que nos matam de prazer. Tornei-me numa mulher de marinheiro, cheio de lugares, cheia de lugares, e às vezes nem sei em que terra estou.


7.6.10



Da Lei da Atracção a Wikipédia decide dizer-me com um sotaque muito pouco convincente que esta pode ser entendida como uma releitura actual do conceito de fé, amplamente referida no Novo Testamento:
Hebreus 11:1 "Ora a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de factos que não se vêem"
Continuo a apostar nas estatísticas. E a elogiar Blaise Pascal e uma das suas criações, que é a roleta com números, tratada como um jogo de azar que me faz pensar em ganhar ou perder-te. Jogar ou usar a sua frase mais conhecida, tão usada, aquela que diz que o coração tem as suas razões que a própria razão desconhece.
Indecisa lanço a moeda ao ar.







31.5.10



Double trouble


20.5.10






Bem Bom
Esta mudança de um sítio muitíssimo bem para um muitíssimo bom.

17.5.10



Where is the love that everyone is talking of
Shake my body - release my soul
Punish my senses - lose control
This body's young but my spirit's old
Scatter my ashes and let my feelings go

James
, Lose Control.

12.5.10



Roll the dice




Da ressaca ou o Sermão da Montanha, aquela ideia do Novo Testamento, que ontem fui ver o Papa de dia e passei a noite naquele bar no Cais-do-Sodré
Todas as paixões têm uma época em que são meramente nefastas, durante a qual, com o peso da estupidez, arrastam as suas vítimas para uma depressão - e uma época mais tardia muito posterior, na qual desposam o espírito, na qual se "espiritualizam". Noutro tempo movia-se guerra à própria paixão, por causa da estupidez nela existente: as pessoas conjuravam-se para aniquilá-la, - todos os velhos monstros da moral coincidem unanimemente em que il faut tuer les passions.

Citando Nietzsche, mais uma vez.



Em mim
Há uma moral dos senhores e uma moral de escravos; acrescento de imediato que em todas as culturas superiores e mais misturadas aparecem também tentativas de mediação entre as duas morais, e, com ainda maior frequência, confusão das mesmas e incompreensão mútua, por vezes dura coexistência até mesmo num homem, no interior de uma só alma.

Nietzsche
(num caderno esquecido atrás das cómodas que ainda faltam sair)

10.5.10



Hoje que me mudo
Depois de um assalto à nossa casa em São Paulo, a polícia recomendou que a minha família mudasse de estado. Tinha eu uns cinco ou seis anos. Houve tiros, houve mortes e houve um grito da minha mãe, que é leão de signo e leoa de feitio, pela janela fora, em pleno bairro do Morumbi, na esperança que algum vizinho a ouvisse. A polícia apareceu em carros e também a cavalo. Que contado soa a exagero, já que por cá um assalto no bes faz uma semana de manchete. Eu tinha sido enfiada debaixo da cama e lembro-me de não resistir em sair pelo lado oposto, só para ver o que é que o meu pai fazia à janela. Ouviam-se tiros. Dois dias depois tínhamos a casa empacotada, tudo, tudinho, embalado pela Graneiro, e amanhã era só passar de casa para as carrinhas e das carrinhas para o Rio. Dormimos num hotel. No dia seguinte, a casa vazia, o peito no chão. Ambos vazios. As carrinhas não chegaram a ser usadas, e os meus pais só se atreveram a rir, pela tremenda elegância do roubo. Fomos jantar fora.

8.5.10



Do amor à ambição ou da ambição ao amor?
Ela não sabia qual a relação entre aquelas palavras.




4.5.10



A verdade era verde. Passou um burro e comeu-a.
atribuído à Dona Antónia
by João Penalva

2.5.10



Do absurdo
Estou a dormir.
não sei porque acordei tão cedo. O meu sono é digital, tenho uma caixa que me guarda os sonhos, ando para a frente e para trás com as cenas que perdi, paro para ver os extras, que cliché. A minha vida é digital, tenho uma caixa onde guardo os meus dias, ando para a frente e para trás com as cenas que sou eu a ser reanimada cada vez que as vejo, as guardo, as apago. E cada vez que vejo alguém também posso escolher-lhe a cor dos olhos. E a quantidade de comida que come e os livros que lê. Vejo vários filmes ao mesmo tempo, troco-lhes os horários, ponho-os à minha espera, e quando fazemos amor decido a temperatura dos corpos. A arbitrariedade assim, sem sentidos, como o Mundo, pode ser a única maneira de chegar a um significado ou propósito. Isto é, criando um por si mesmo. Passa a ser o indivíduo, eu, e não a sua acção, aquilo que importa. E nem ando a ler Camus para sentir que acabei de fazer um pause.





À confiança
Posso dizer que está tudo de pernas para o ar. E olhei para a minha saia, com medo que fosse eu a fazer o pino. Mas não.
As acrobacias são boas. São uma mistura, como se o acrobata e o mágico se juntassem. O quanto multidisciplinar que o nosso tempo é. Porque as sensações dividiram-se, ainda mais, e passamos das cartas aos bips, dos bips aos telemóveis, dos telemóveis às mensagens escritas, das mensagens escritas aos blogues e facebooks, que é como se estivessemos calados, calados a (não)sentir em frente a este ecrã, na dúvida se o que lemos ou vemos é para nós. Ele diz que escreveu para mim. A minha amiga lê primeiro do que eu, a outra faz-lhe um link, o outro copia uma linha, as outras pensam que é para elas, tão bem que lhes assenta, os outros bloguers respondem nas entrelinhas, vejam só a tensão. E o tesão (moderno). De tanta gente junta. Uma coisa nossa passa a vossa. E eu não escrevo para ti, mas para todos, que quase que a modernidade me passava ao lado.


30.4.10



29.4.10




Amores
Tu que eu não sei onde encontrar e que não lerás

este livro,


*As Minhas Propriedades, Henri Michaux.

5.3.10



Precipitações
Quem não sabe introduzir a sua vontade nas coisas, introduz nela pelo menos um ´sentido`: quer dizer, acredita que existe já ali dentro uma vontade (princípio da ´fé`).
Citando Nietzsche, porque é actuando que devemos abandonar o que quer que seja, actuando até que se gaste. É a actividade que nos determina. Até no amor, quero crer.









Contem-me outra história
Ficaram juntos e viveram felizes para sempre



15.2.10

Tudo
Ela dizia que o amava. Ele insistia, infinitamente, em repetir as conversas. Nada era suficiente, não tinha um impulso conformista. Pedia-lhe explicações.
Ela dizia que o amava.
- Porquê?
-Por tudo.
Ele esperava grandes revelações. De desejo e sentimento. Mas ela só sabia responder com um tudo que é o mesmo que o colocar lado a lado com todas as coisas que ama. Todas. As que já passaram, as que imagina, do pai ao pão, da bicicleta ao bicho-papão. Todas, todinhas juntas, é um tudo fechado de forças que andam de um lado para o outro sem nunca encontrar o ponto de equilíbrio.


avesso.direito@gmail.com